quinta-feira, março 20

Livro/ivre/aria





bem lá no alto alcancei-o, o corpo alongado, os dois pés em ponta.



há tempo guardado, não visto, quase (mas nunca) esquecido na estante levou-me viajante a passear no tempo, ao momento exato em que chegara a minhas mãos.



agora na varanda abro-o devagar, grande que é cobre-me o colo os ombros os braços toca-me os seios sob o tecido leve e vermelho da blusa frouxa de outono quando abraço-o para sentir junto a mim seu cheiro ainda fresco, inconfundível cheiro de livro novo, pouco tocado...



beijo-o tocando apenas lábios entreabertos com a pressa ausente do primeiro beijo lembro-te



e esqueço-te tão breve e serenamente como as folhas que caem no jardim.


Jardim. Klimt, 1905/06 

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10:20