sexta-feira, novembro 29

Nunca vi brilharem tanto

Dois olhos adultos
negros de imensidão
surgiram de súbito
e lá, absoluto
tu me observavas
recostado no balcão

Fez-se em mim silêncio 
do tumulto do bar
e dos teus olhos um par
de promessas vadias:
com que pressa querias?

Eu feito bicho
sei lá o que aconteceu
o teu artifício 
três segundos já um vício
agora mais um vício meu

Em cadência acelerada
virei minha gelada
fingindo distração
o papo antes tão bom
já não valia nada

Feito fera me apanhou

com teus olhos de pantera
sem nenhum esforço
suspirei, arqueei o dorso
e nem sabia quem tu eras

Poesia noite adentro, eu e meu pigarro
fui destilar minhas quimeras
na fumaça dos cigarros
mesmo quando amanheceu

por ver a luz vibrar dos olhos teus
só vi breu.

Um comentário:

  1. Oi, Brunna! Achei ótimo seu poema. Deu vontade de escrever. Nada pessoal. Apenas uma vontade que disparou e escreveu. Permita uma licença: “Estamos vagando pelo universo. Tão pequenos nossos mundos! Pigarros e fumaças... Vida sem obra forte, vida sem norte. Universos criados a grande custo e reflexões tortas. Somos nós. Ricos ou pobres. Estalajadeiros ou nobres. Somos andarilhos com residência fixa. Somos.”.

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10:20