domingo, abril 1

Estardalhaço

Grita a poesia em meu peito para que eu me cale
Para que eu deixe de ser esta abertura engendrada
No meio deste túnel perecível de desejos.
Grita, lacerando-me o coração, estancando o rubro
Sangue nas artérias, me sufocando em espasmos infecundos
Torturando-me com a beleza do vento num campo distante.

Ai, meu peito que dói, onde esta fera habita as suas
Raízes como estacas, como pregos, como pássaros!
Acusa-me de ser cúmplice de Deus, atroz em atrocidades
Que me ferem os olhos, que me obrigam a chorar
Mas toda chuva em mim secou, todo rio em mim secou,
Todo mar em mim secou.

Um comentário:

  1. Quando a insônia se cobre de poesia, vale a pena da olheira. E estes versos me fizeram companhia esta noite - companhia, sim, aqui também não restou muita coisa.

    Tua habilidade com as palavras é incrível. Este, particularmente, teve o ritmo das ondas do mar, para mim.

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10:20