segunda-feira, março 5

Eco

Não, Deus!, jamais encontrarás no repouso de meu seio
O Verso rasgado de um poeta, com o qual decompus
A noite amante em tardes de prantos.
Não, Deus!, não te enganes quanto a mim
Não fiz-me triste
Não fiz-me – de minha carne – leito
De uma treva esquecida.
Esta máscara cairá!
Por mais tristeza que se repouse sobre abismos
Dos meus olhos
Fiz-me apenas vazia,
para ser breve hospedeira da alegria
para ser caminho da água corrente poesia
numa ânsia tremenda de amar sem sofrer
numa prece equivocada por amar sem amor.

E neste tumulto absurdo de minha alma
Que se sente sufocada presa dentro deste corpo
E ameaçada pela imensidão inconsútil.
Que sonhos me restaram?
Se vacilo entre o grande e o pequeno
Se perco-me com tudo e com nada
Fascínios
Mais cheios e mais vazios
Do que compreensíveis aos limites da aurora
Minha própria alma, que habita este mundo
Além de mim.
Não é cabível o inimaginável
E paira suspenso por sobre esta imensidão
Apenas como um suplício
O revérbero da essência estática.

A vida segue...

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10:20