quarta-feira, março 14

Ah, que bom seria

Ah, que bom seria passar o dia
Na praia, uma vez por dia
Todos estes dias quentes azuis

Distante de toda esta fumaça
Deste crescimento regressivo
Deste brado de covardia
Que vende inúteis demasias
Que nos torna em mortos-vivos
De rostos tão frios e esvaziados
E tão cheios de dor e ideais
Abandonados ou pré-concebidos

Estou de saco cheio, fatigada
Desta lírica ausente, extermínio
De minha voz...

Estou de saco cheio de sorrir
A estranhos que me negam seus olhos
Sorriam, meus irmãos, à menina que passa!
Ela sabe, em seu pequeno peito,
Estamos condenados
Mas, em seu  pequeno canto, ela diz
Ainda há qualquer coisa de belo
Ainda há beleza em qualquer coisa
Ainda! O céu ainda é azul
Honrem seus olhos, ousem olhar!
Cantem, sorriam, riam... Ou morram
Matem-se de uma vez
Mas libertem estas almas
Que elas passam fome
Como tantas crianças, Senhores!...
Libertem-nas!

Mas, ah, que bom seria passar o dia
Na praia, uma vez por dia
Todos os dias quentes azuis
Mas não há como ignorar
Esta dor quando diz-me que não vai nos salvar...

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