quarta-feira, janeiro 11

Amar Amar

Logo que eu deixar de amar somente teus olhos
E amar os olhos breves do céu
Logo que deixar de me debruçar sobre teus lábios
E debruçar-me a carne sob os lábios quentes do Sol
Logo que eu deixar de a ti somente me entregar
E entregar-me por inteiro ao mar
Poderei amar-te eternamente
Como brisa, como pássaro, como benção e luz
Amar-te-ei
Pois tu, irmão, és como eu e o infinito
És feito de ar, prima beleza imaterial,
E no centro do teu peito,
Assim como em meu agora desabitado corpo
E no seio 
etéreo da própria morte
Jaz o desejo ímpar de permanecer
Permanecer liberto, permanecer intacto
Permanecer apenas,
Sem mais nada desejar

Vir a ser perpétuo amar.

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10:20