quinta-feira, dezembro 29

Oh, meu bem, entardece

Meu bem-amor,
O fim de tarde
Me expande
A calma
Me atravessa a alma
Me traz de volta um viver
Sem-nome. Mil-cores
Em mim, todo o prazer
E nossos vadios amores
Bendizem o querer
Umidecem-me o nome,
O gesto, o verso, o mistério
O sem-som, timbre da boca,
Mudez
A mais vívida fala, da tua
Nudez
Em minha carne, crua-matéria-oca
Deslizada fria sob o entardecer
Vem! Breve,
Antes que eu entardeça
Vem! Vou
Levar-te comigo
Pro doce, pro amargo,
O semoto infinito
Que não há sequer abrigo
Pra se proteger do nosso
- O próximo, o último,
Distinto, avesso ao mundo,
Bem-amor-querer

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