terça-feira, dezembro 13

O Amigo

Eu morrerei, e tu logo também.
E do que terá adiantado esta loucura,
Toda esta espera, esta sôfrega dor
Que é viver à parte da origem dos céus.
Do que terá, então, adiantado conhecer
As mais belas canções de séculos passados
E harmonizar tantas quimeras,
Palavras em versos armadas,
Ou, ainda, falar dos grandes homens,
E mais, ousar se entregar ao mar.
E apesar das minhas cores, dos dias,
Dos sublimes sabores, e até, quiçá,
Da nossa alegria.
O sangue, o acre, o vento, o peso do aço
E a noite é o que carrego.
Se ao me colocar aqui, tu, o indizível,
Fez-me em pedaço,
Eu carrego a sina dos partidos abraços.
Eu carrego o caos dentro do abismo
E o abismo perdido dentro do olhar.
É isso, amigo!
Por rir da felicidade
E crer na virtude da verdade,
Eu, como anjo caído,
Desafiei-te como um Deus.
Agora é isso, castigo!
Pois quando chegar a hora,
No caminho para o além do agora,
Não morrerei em teus braços
Destituindo minha doce vida
Em tua cândida aurora...

Nada disso adiantará. Nada disso me vai adiantar.Nada disso adiantar irá.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

10:20