quarta-feira, novembro 16

Que seja doce

Tirem-me os livros
Roubem-me as ideias
Arranquem-me os olhos

Ao menos, deem-me um pouco de paz
E, depois disso, não se esqueçam
De me ensinar a morrer.
Mas, peço-lhes, não me enterrem o coração.

Colham as flores,
Cantem qualquer velha canção,
Ou um antigo verso meu
E celebrem o amargo.

E não se esqueçam
De me ensinar a continuar sonhando
Pois mesmo a morte, ou o fim,
O meu ou o seu, merecem
Um pouco de cor.

Queimem os cigarros,
Acendam as velas,
Banhem-me em vinho ou bálsamo
E firam meus sonhos e minha carne.

Mas não me afoguem no tempo
E não culpem a chuva
E não contem a ele
Sobre minha doce loucura.

E, sobretudo, não se esqueçam
De olhar o céu, pois mesmo eu,
mesmo extinta, jamais o farei.

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