terça-feira, setembro 20

História em três atos

I

Vem, rasga-me a roupa e a pele devassa
Com teus dentes ou mãos.
Vem, colhe no fundo de minh’alma,
Feroz, com teus lábios de demência,
Em meu ventre de orvalho, o fruto adormecido.

Agora, reinventa-me seios, pernas e boca
Que anestesiada sou neblina – sem forma.

II

Exausta, ou quase extinta, prostrada em teus braços
Convidar-te-ei a habitar-me calado, seremos
Uma ou duas belas moradas - castelos feitos de ar.

E despertos do sonho trêmulo,
Entre muros e videiras vagaremos.

Da insustentável noite pálida, provaremos em deleite
O fel letárgico de quem se atreve a amar,
Seremos eternos, tão breves! ...Quanto um luar.

III

Beberás do vinho suave em meus jardins,
E nas horas de desfastio, insatisfeito, percorrerás
Titubeante em mim mil caminhos,
Travessas de heras e éden – sozinho.

O que seremos então? Senão cinzas de primavera,
Flor de cerejeira, brisa passageira, perfumes do mar...

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