sábado, setembro 3

De qualquer forma

Parece que
vivemos todos tão sós
e temos que despertar
para um novo dia
igual ao anterior
e temos que ouvir
as mesmas vozes
as mesmas músicas preferidas
e temos que aceitar

nossos mesmos traços
restos e destroços
um mesmo gosto
que já não podemos sentir

Temos que buscar nos dias,
nas noites, nos sonhos,
nas calçadas, de 
pés descalços 
nas ruas sem saída,
nos adeuses, nos encontros,
nos céus, nos mares,
no vento,
no infinito,
nos raios de sol da sorte,
do destino, do acaso,
da espera...
a beleza, O belo, o sublime,
as respostas, as perguntas,
os amantes, os amores,
os poetas,
o instante exato,
um tudo, um nada
o amor, uma chama,
o eterno.

E, no fim,
temos que olhar o céu
com olhos tristes
e buscar nas estrelas,
na imensidão, no vazio
O que nunca encontramos...

Mesmo assim seguimos sorrindo,
pois a vida é boa,
sim,
é boa!
No fundo de nossa solidão
Sentimos outra exata solidão
Esperando ser encontrada
(a gente nunca encontra)
para completar-nos
(nada se completa).

Mas, no fim,
de qualquer forma,
nunca estamos
verdadeiramente
sós.

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